Não consigo pensar neste filme sem ter em mente o número 7.000 – é o seu orçamento total, em dólares. Trata-se, basicamente, do custo do filme 16mm e, imagino, dos sanduíches de lanchinho para os atores e a equipe diminuta. O que se vê é um trabalho de direção discreta e competente sobre um grupo de cientistas/engenheiros trabalhando no projeto de uma máquina cuja função ou aplicação prática eles não conhecem. O emaranhado de diálogos técnicos cria uma bruma espessa de confusão, mas eventualmente percebemos, um pouco depois que os personagens, o que diabos a máquina faz. A revelação, sem estardalhaço, finalmente permite traçar a filiação do filme – é, no fim das contas, uma pequena pérola de ficção científica hard, e das mais imaginativas e elegantes por aí.
20/02/2009...0:39
Primer (2004), de Shane Carruth
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